Artigo 275

Autor: Flavio Olimpio de Azevedo

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1982

Invólucro ou recipiente com falsa indicação

 

Art. 275 – Inculcar, em invólucro ou recipiente de produtos alimentícios, terapêuticos ou medicinais, a existência de substância que não se encontra em seu conteúdo ou que nele existe em quantidade menor que a mencionada:  (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998) (1).

 

Pena – reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)

 


 

 

(1). Bem jurídico: Proteção da saúde a saúde pública.

 

Sujeito Ativo: Qualquer pessoal, principalmente comerciante e fabricantes.

 

Sujeito Passivo: A Coletividade, voltado para os consumidores dos produtos.

 

Elemento objetivo do tipo: “A ação incriminada consiste em inculcar (fazer falsa indicação, dar a entender, indicar, citar) a existência de substância que não encontra no conteúdo de produtos alimentícios, terapêuticos ou medicinais ou que nele existe em quantidade inferior a mencionada. O objeto material é invólucro (..) BITENCOURT, Cezar Roberto, Código Penal Comentado. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. P1003).

 

Elemento Subjetivo do Tipo: Qualquer pessoa.

 

Consumação: com a indicação falsa no invólucro ou recipiente. Inserção no rótulo de produto medicinal de nome de substância inexistente em seu conteúdo.

 

Ação Penal: É púbica e incondicionada.

 

A jurisprudência indica que inserção no rótulo do produto medicinal de nome de substancia inexiste configura o delito:

 

Julgado TJ-PR:

APELAÇÃO CRIMINAL. CRIME DE INVÓLUCRO OU RECIPIENTE COM FALSA INDICAÇÃO – ART. 275 DO CP. ESTELIONATO. CONCURSO MATERIAL. PLEITO DE ABSOLVIÇÃO DO DELITO PREVISTO NO ART. 275 E NO ART. 171 POR AUSÊNCIA DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA E NÃO APLICAÇÃO DA REINCIDÊNCIA. PLEITO PELA ALTERAÇÃO DO QUANTUM DA PENA E DO REGIME PRISIONAL. REPAROS NA DOSIMETRIA DA PENA. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. O delito previsto no art. 275 do Código Penal é Crime de Perigo Abstrato e consiste em inculcar em invólucro ou recipiente de produtos alimentícios, terapêuticos ou medicinais, a existência de substância que não se encontra em seu conteúdo ou que nele exista em quantidade menor que a mencionada. No presente caso foi comprovado a tipicidade do delito e o dolo consistente na inserção no rótulo de produto medicinal de nome de substância inexistente em seu conteúdo caracterizando o delito. 2. A prática do delito de estelionato restou comprovada, pois o recorrente com seus atos obteve vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo terceiros em erro, por meio fraudulento. 3. Incabível a aplicação do Princípio da Insignificância. A um, porque o valor obtido não é irrisório e a dois, porque as questões de caráter subjetivo, principalmente em relação à vida pregressa do apelante não autorizam tal aplicação. 4. O reconhecimento da prescrição executória não desfigura a ilicitude do fato, extinguindo apenas o direito do Estado de punir, não afastando os efeitos da condenação, razão pela qual para fins de reincidência a condenação deve ser considerada. 5. A aplicação do enunciado da Súm. 269 do Supremo Tribunal Federal interpretada a contrario sensu autoriza a aplicação do regime fechado uma vez que devem ser consideradas as circunstâncias judiciais do art. 59 do código Penal.(TJ-PR – ACR: 4000382 PR 0400038-2, Relator: Laertes Ferreira Gomes, Data de Julgamento: 31/05/2007, 3ª Câmara Criminal, Data de Publicação: DJ: 7391).

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Flavio Olimpio de Azevedo
Formado em Direito pela FMU em 1973. Possui diversos cursos de extensão universitários (USP, PUC, Mackenzie e FMU). É atualmente conselheiro da OBSP. Por longo tempo foi examinador do Exame de Ordem da OABSP. Foi assessor do Presidente do Tribunal de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil, secção São Paulo-1997 a 2000. Desde abril de 2000/2003 foi membro do Tribunal Ética de São Paulo-II, relatando e julgando diversos processos envolvendo ética profissional. Durante aproximadamente oito anos foi relator da Câmara Recursal da OABSP Em 1974, constitui o escritório de advocacia hoje denominado Olimpio de Azevedo Advogados, prestando serviços neste longo lapso de tempo para diversas empresas de grande porte qual se dedicou toda sua vida profissional. Hoje o escritório tem abrangência nacional com equipe de cento e cinquenta profissionais. É autor das seguintes obras: • Autor do capítulo brasileiro do livro: Attorney-Client Privilege in the Americas, publicado pela Universidade de Cambrigde • Ética e Estatuto da Advocacia – Editora: Juarez de Oliveira • Comentários as Infrações Disciplinares do Estatuto da Advocacia- Editora: Juarez de Oliveira • Comentários ao Estatuto da Advocacia(com prefácio do Presidente Nacional da Ordem Dr. Ophir Cavalcante Junior. – Editora: Elvesier 2ª. edição • Ética e Estatuto para exame da OAB- Editora: • E autor de diversos artigos na imprensa nacional e palestras efetuadas.

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